6 erros óbvios ao conduzir um projeto de software

Existem certas posturas inadequadas na execução de um projeto que são obviamente erradas, mas que muitos profissionais (especialmente freelancers iniciantes) cometem com muita frequência. Alguns desses itens foram listados por Thomas Carney sobre projetos com WordPress, outros eu adicionei por experiência própria. Apesar do foco aqui ser projetos de software os itens aplicam-se tranquilamente a qualquer outro projeto de áreas diversas.

1 – Aumentar o escopo do projeto mantendo o prazo e o custo iniciais

Esse é um erro clássico, alimentado por três fatores principais:

  1. Falta de “coragem” do profissional em dizer “NÃO” – qualquer novo recurso requisitado pelo cliente você se dispõe a fazer, achando que vai ter tempo suficiente dentro do projeto ou que não precisará de tempo a mais ou recursos extras.
  2. Escopo mal definido para o cliente ou mal interpretado pelo profissional – o cliente pediu A, mas acha que B e C são tão óbvios que não precisa nem falar. Você sabe que B é um recurso importante mas como o cliente não pediu ele não vai querer. Mais pra frente o cliente pergunta quando C estará disponível, só que você não terminou nem de fazer A. E por aí vai…
  3. Não ter claros o escopo ou o custo – você precisa saber o que tem que entregar e quando tem que entregar o projeto. Se você não souber quanto tempo leva para fazer determinada tarefa (consequentemente, quanto custa fazer determinada tarefa) você não terá condições de adaptar o prazo ou o custo do projeto.

2 – Permitir que o cliente atrase suas entregas

Em praticamente todo projeto sempre dependemos de alguma informação do cliente. Pode ser um texto, um logotipo, um documento, uma tradução, qualquer coisa. Se o cliente atrasa, seu projeto atrasa e o prazo estoura. Depois que o prazo estourar – e você acabar atrasando outros projetos seus – como você vai justificar para o cliente que a culpa foi dele?

Elabore um gráfico de Gantt do projeto, por mais simples que seja, mas que deixe claro para o cliente que se atrasar o que é esperado dele, você não terá como dar continuidade na sua parte do projeto e o prazo final se prolongará. Pode ser que um gráfico de Gantt não seja o melhor modelo de planejamento para o seu negócio, mas arrume uma forma de documentar e mostrar antecipadamente para o cliente que se ele não se comprometer, não poderá reclamar depois.

3 – Querer ser perfeccionista em tudo

Se você quiser fazer tudo perfeitamente correto, desde o início, pode acabar investindo muito tempo em detalhes que não agregam valor ao produto final nem à experiência do cliente. É melhor você ir mostrando progresso, ainda que devagar, do que dizer pro cliente que está trabalhando num tal de “backend” e que não tem o que entregar ainda. Tudo bem, isso pode acontecer, mas certifique-se de estar trabalhando no que realmente importa.

Analise a possiblidade de terceirizar tarefas que exijam menos do seu know-how ou que tomem seu tempo desnecessariamente. Se você não é designer e quiser se aventurar a fazer algo nessa área no seu projeto, vai gastar muito tempo fazendo algo que você não domina e o resultado final será horroroso (experiência própria!). Então passe pra frente o que não é da sua competência e invista seu tempo naquilo que você é realmente bom.

4 – Cobrar um preço fixo pelo projeto

Projetos (especialmente os de software) MUDAM! Ponto. Não adianta achar que o que definido no escopo é o que será feito, porque sempre o cliente vai lembrar de algo a mais, ele vai conhecer um recurso fantástico no site do concorrente e vai querer copiar ou ele simplesmente está gostando tanto das entregas que o profissional faz que ele vai tendo mais ideias, e vai aumentando o escopo do projeto.

Se você definiu um preço fechado para o projeto, deixe claro que o valor se refere ao escopo acordado inicialmente. Alterou o escopo, alterou o preço. Simples assim. Negócio é negócio. Não há motivos para o cliente ficar chateado, afinal de contas o combinado não é caro nem barato, é o combinado. A menos que você tenha cometido o quinto e pior erro de todos:

5 – Não fazer um contrato

Você não precisa fazer um curso de direito para elaborar um contrato de prestação de serviços. Existem diversos modelos disponíveis gratuitamente na internet, que você pode baixar e estudar para encontrar o modelo ideal para o seu negócio. É um assunto que vale a pena investir tempo para desenvolver a habilidade de elaborar esses contratos, afinal de contas eles servirão para proteger você, seu cliente e os futuros negócios que podem nascer depois desse projeto.

Se você não tem tempo e/ou habilidade para lidar com esse assunto, contrate quem saiba. Não subestime a importância de ter tudo no papel.

6 – Querer entregar mais do que o combinado

Isso é quase uma síndrome entre os programadores: querer entregar mais do que foi pedido pelo cliente.

Adicionar um recurso ao projeto que você sabe que o cliente pode precisar e não cobrar por isso pode parecer que você está fazendo um favor para seu cliente, mas a verdade é que você não tem condições de julgar o que é realmente importante pra ele.

Aí você me diz: “Ah, mas Steve Jobs disse que o cliente não sabe o que quer até que mostremos pra ele”. Só que o Steve Jobs cobrava muuuito bem por isso. Se você também cobrar, e ajustar seu prazo proporcionalmente, tudo certo. Mas se você ampliar o escopo do projeto por conta própria e atrasar o que o cliente contratou, a super novidade que você implementou não terá valor nenhum, pois não foi isso o que o cliente pediu.

Lembre-se, você é um profissional e sua relação com o cliente é regida por um contrato. Não queira ser “bonzinho”, pois as chances de estragar tudo são muito grandes.

 

O mercado é uma selva, meu amigo. E como diz o ditado, se ficar o bicho pega e se correr o bicho come. Mas se você souber caçar…

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