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Livro: Fernão de Magalhães

Eu me lembro que nos meus primeiros anos do ensino fundamental a “tia” falou que o Brasil foi descoberto quando alguns portugueses procuravam outro caminho para chegar às Índias. Como o assunto era o descobrimento do Brasil, foi só isso o que ela disse sobre as viagens transatlânticas daquela época. Ela não falou o motivo – pelo menos não de forma detalhada – pelo qual os nossos hermanos lusistanos procuravam aquelas terras. Se ela tivesse contado a história de Fernão de Magalhães pra nós, certamente a aula dela seria muito menos tediosa (confesso: nunca gostei de história, pelo menos da forma como me foi ensinada…).

No livro Fernão de Magalhães, Stefan Zweig explica direito essa história: Portugal e Espanha se valiam da Ilha das Especiarias para aumentar seu “PIB”, pois naquela época esses insumos – que hoje nos contentamos em chamar de “tempero” – custavam muito caro. Eram necessários dias a fio de navegação para trazer especiarias das Índias.

Depois que a Espanha dominou o caminho que Portugal fazia para chegar até a fonte da riqueza, este começou a procurar rotas alternativas para a Índia – e é neste ponto que o Brasil entra na história. Queriam chegar na Índia, mas a princípio encontraram apenas muitos índios.

Naquela época acreditava-se que a Terra era quadrada, plana, triangular ou qualquer outro formato que não permitisse uma circunavegação do globo. E foi apostando na “redondeza” do planeta que Pedro Álvares Cabral chegou até o nosso continente. Por não terem encontrado as Molucas mas sim uma terra até então desconhecida através da rota definida por Cabral, ficava cada vez mais evidente a teoria da época.

Mas teve um cidadão, a princípio português e depois naturalizado espanhol, que tinha informações suficientes para acreditar que a terra tinha um “pi”. Fernão de Magalhães reuniu todos os dados que possuía e, em conjunto com um amigo que fazia mapas (esqueci o nome da função agora), traçou uma outra rota, acreditando que ela o faria dar a volta na Terra.

Ele apresentou o projeto para o rei de Portugal mas não teve apoio (mesmo depois de servir o exército do país por vários anos e acabar sendo aposentado por conta de uma lesão na perna adquirida em uma batalha). Então ele foi pra Espanha e apresentou o projeto para o rei, onde conseguiu um financiamento suficiente para montar uma frota de 5 naus, uma tropa de 265 homens e provisões para mais de um ano.

O livro conta em detalhes todos os percalços enfrentados por esse homem calculista e taciturno na realização do seu sonho, que era chegar à Ilha das Especiarias por uma rota dirigida a Oeste. O excelente planejamento de todos os detalhes e controles financeiros feito pelo comandante, a falta de recursos, a fome, as intrigas, as conspirações, as traições, os sonhos, as desilusões e a realização dos sonhos desiludidos estão, pelo menos em boa parte, registrados nesse livro que conta um dos maiores feitos da humanidade: o descobrimento do Estreito de Magalhães, ao qual seu descobridor se dirigiu com 265 homens, mas não fez parte do grupo de 18 marinheiros que concluíram a viagem com sucesso.

Comments 1

  1. Elvis, brilhante comentário do livro de Zweig, que funciona como um aperitivo que abre a fome para ler este livro imprescindível. Parabéns!

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